quarta-feira, 20 de julho de 2011

“Educação, escola e formação: a pedagogia em questão” será o tema da 1ª Semana de Educação

Esse evento “Educação, escola e formação: a pedagogia em questão”, motivado pelos anseios dos graduandos do Curso de Pedagogia em compartilhar e discutir com a comunidade de educadores – em exercício e em formação – questões envolvendo temas e pesquisas recentes em Educação, Formação Docente, Organização Escolar, Práticas Pedagógicas, entre tantos outros que interferem diretamente na situação educacional por nós vivenciada, tem por objetivo questionar como tais temas e pesquisas se integram, quais controvérsias que deles decorrem e quais os impactos gerados para a sociedade brasileira. Encontra-se, assim, inserido em um quadro em que instituições de diferentes naturezas buscam refletir sobre aquele que continua sendo apontado como um dos maiores problemas de nosso país: a questão educativa.
“Formação dos Profissionais da Educação”, “Progressão e Ciclos”, “Alfabetização e Linguagem”, “Culturas Juvenis e Educação” e “Experiências Escolares Inovadoras” serão os temas das mesas-redondas. A palestra de encerramento, com o tema “Por uma pedagogia da ousadia”, será apresentada por Célia Giglio (Unifesp).

Público-alvo

Evento destinado aos alunos da UNIFESP e outras Universidades, em especial aos estudantes que se interessam pela temática da Educação. Destina-se ainda aos profissionais da rede pública e privada de ensino do município de Guarulhos e de outros municípios.

Local

Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo.
Estrada do Caminho Velho, 333 – Bairro dos Pimentas, Guarulhos, SP

Como Chegar

Quando: entre os dias 30 de agosto e 2 de setembro, em Guarulhos (SP).

Programação

http://proex.epm.br/eventos11/educacao/programacao.htm

Mais informações: http://proex.epm.br

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Leituras em situação de crise, com a antropóloga francesa, Michèle Petit

SEMINÁRIOS DE LEITURA

A Cor da Letra - Centro de Estudos em Leitura, Literatura e Juventude e a Revista Emília - especializada em leitura e literatura juvenil - organizam o Seminário: Conversas ao pé da página.

O objetivo dessas Conversas ao pé da página é refletir sobre o papel e a importância da leitura e das ações que promovem a formação de leitores; o incentivo à atividade leitora, com ênfase na leitura literária; e o intercâmbio de experiências realizadas nesse âmbito na América Latina.

Em um ciclo de seis encontros, no de ano 2011, esse seminário, gratuito, é destinado a professores, educadores, universitários, mediadores de leitura e todos aqueles interessados no assunto. Especialistas nacionais e internacionais debaterão os temas propostos. As exposições dos palestrantes convidados serão acompanhadas de experiências práticas apresentadas por profissionais que realizam ações bem sucedidas nesta área. Com esse estímulo, abriremos uma "Conversa" com os presentes.

LEITURAS EM SITUAÇÃO DE CRISE
com a participação de Michèle Petit, Patrícia B. Pereira Leite, Dolores Prades (mediadora), Diana Sales e Luciana Gomes.

Data - 5 de julho de 2011, Terça Feira.
Local - SESC Pinheiros.
Horário - 13:00 às 18:00

A Crise aqui mencionada faz parte da vida. O homem produz literatura, necessita de compartilha-la, transmiti-la para estar vivo. Ser introduzido no mundo da linguagem e da cultura é fundamental para o desenvolvimento humano. Quando a adversidade da vida é excessiva, as pessoas se recolhem, encontram-se impedidas de sonhar de pensar, de aprender. A leitura e a literatura são respostas, saídas histórico-sociais para a barbárie. A humanidade se constitui enquanto tal exatamente porque é capaz de produzir narrativas para se conhecer e se reconhecer no outro, nos outros. Inserir a leitura neste pano de fundo civilizatório ajuda a refletir em um plano onde modelos e classificações não encontrem espaço e a leitura possa aparecer como encontro gratuito cujo sentido depende precisamente da relação ativa que se estabelece entre os textos e os leitores.


Antropóloga francesa, Michèle Petit trabalhou de 1972 a 2010 no Centre National de la Recherche Scientifique, no Laboratório de Dinâmicas Sociais e Recomposição dos Espaços (Paris), de onde é, hoje, membro honorário. A partir de 1992 dedicou-se a pesquisas sobre leitura e a relação entre livros e cultura escrita, em particular sobre a experiência singular do leitor Coordena, na França. Uma pesquisa sobre o papel das bibliotecas públicas na luta contra os processos de exclusão e segregação, baseada em entrevistas com jovens que vivem nos bairros "críticos".

Em um prolongamento desse mesmo trabalho, ela aprofunda a análise da contribuição da leitura para a construção ou a reconstrução da identidade, particularmente em contextos críticos. A partir de 2005, ela passa a pesquisar trabalhos de experiências literárias compartilhadas que se multiplicam em países onde ocorrem conflitos armados, intensas crises econômicas, catástrofes naturais ou grandes deslocamentos de população, Brasil particularmente na América Latina. Entre os vários livros foram traduzidos no Brasil: Os jovens e a leitura. Uma nova perspectiva, São Paulo, 34, 2008; A arte de ler ou como resistir à adversidade, Editora 34, São Paulo, 2010.


Psicóloga clínica e Psicanalista – Membro do Instituto de Psicanálise de São Paulo é Mestre em psicologia Clinica e Psicopatologia pela Universidade de Paris V e Especialista em Técnicas de Saúde mental pela Universidade de Paris VII. Coordenadora e assessora de projetos sociais e educacionais na A Cor da Letra- Centro de Estudos em Leitura, Literatura e Juventude em diferentes contextos da realidade brasileira.

Iniciou seu trabalho com ações culturais de mediação da leitura e de literatura ha 26 anos junto à associação "Actions Culturelles Contre les Exclusions et les Ségrégations" em Paris (França) e também no hospital dia: "Unité du Soir" - da Fundação René Diatkine, para crianças e jovens com desarmonias evolutivas graves - desenvolvendo o trabalho terapêutico, em seu atelier, através da mediação de narrativas de literárias. Centro Alfred Binet - Paris. Em 1997, fundou a A Cor da Letra juntamente com Cíntia Carvalho.

PROGRAMAÇÃO DO DIA

12:20 Cadastramento
14:00 Abertura: Coordenação "CONVERSAS"
14:20 Michèle Petit, Patrícia Bohrer Pereira Leite, Dolores Prades (Mediação)
15:45 Café
16:15 Diana Sales e Luciana Gomes, Projeto Fiandeiras
16:55 "CONVERSAS"
17:45 Fechamento

INSCRIÇÕES: conversapepagina@acordaletra.com.br

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Curso de Introdução aos Estudos da Memória: Teorias e Práticas



Apresentação do curso

A memória tem sido assunto recorrente de pensadores de muitas áreas pelo menos ao longo dos últimos dois séculos. Nos dias de hoje, poucos são os temas que têm atraído tanto interesse, ocupando um lugar de destaque na academia, na política, na mídia, na vida social.

Sob muitas maneiras a memória está infiltrada na experiência humana, associada a um sem número de elementos: a fisiologia, a emoção, a psique, a cognição, o pensamento, a linguagem, entre outros. O avanço do conhecimento científico, somado a novas perspectivas das humanidades, têm reforçado que a memória é um objeto complexo, que requer conhecimentos transversais.

O Curso de Introdução aos Estudos da Memória: Teorias e Técnicas busca, de uma perspectiva interdisciplinar, oferecer recursos de base para o tratamento deste tema a cada dia mais próximo e mais inquietante. Com um corpo docente de reconhecida excelência, o curso apresenta ferramentas teóricas, metodológicas e conceituais valiosas para todos os interessados em explorar esse objeto igualmente fascinante e desafiador.

Os "estudos da memória" como espaço de debate

Em busca de maneiras mais eficazes de lidar com um tema multifacetado como a memória, profissionais, pesquisadores e demais interessados do mundo todo têm ultrapassado espaços disciplinares que tratam deste e de outros objetos de uma perspectiva exclusivista.Sob o rótulo de "estudos da memória", um novo terreno surge, congregando pessoas dedicadas ao assunto e dispostas a aprender, dialogar e debater. Isso permite compreender as várias possibilidades de inclinação sobre a memória e efetuar um amálgama criativo e adequado às mais distintas finalidades.


Somando-se a esse movimento, o Curso de Introdução aos Estudos da Memória apresenta, de maneira panorâmica, pistas para responder a questões como:


- Por que a memória pode (ou deve) ser objeto de estudo na construção de conhecimento?

- O que ela agrega na pesquisa de diferentes disciplinas, e como se serve dos recursos dessas disciplinas?

- Qual o papel social e político da memória?

- Como e por que as pessoas lembram e esquecem?

- Memória e conhecimento são a mesma coisa?

- Qual a relação entre memória individual e memória coletiva?

- Como a memória se entrelaça com emoção, subjetividade, identidade, experiência, poder?

- De que maneira a memória se relaciona com o tempo, articulando passado, presente e futuro?

- Como utilizar documentos dos mais diversos tipos no estudo da memória?

- De que forma os estudos da memória se servem da narrativa e da história oral?

- Quais as estratégias analíticas mais eficazes?

- Por que a memória está hoje tão presente na cena pública?

Programação

O Curso de Introdução aos Estudos da Memória: Teorias e Técnicas é organizado em uma semana de atividades intensivas, que incluem palestras e minicursos com especialistas na área.

Data: 11 a 14 de julho de 2011 (segunda a quinta-feira)
Horário: 9h às 12h (manhã) e 14h às 17h (tarde)



Como saber mais

O Curso de Introdução aos Estudos da Memória está aberto para interessados de todas as áreas. Promovido pelo Núcleo de Estudos em História da Cultura Intelectual, ele acontece de 11 a 14 de julho de 2011, na Universidade de São Paulo, e tem inscrições abertas pelo site: http://www.usp.br/historiaintelectual.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Seminário “Para ler a Internet: políticas e projetos de inclusão digital”

O Seminário Para ler a Internet: políticas e projetos de inclusão digital é uma promoção conjunta do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e tecnologia (IBICT) e o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Seu principal objetivo é divulgar ações de inclusão social promovidas pelo campo acadêmico, em níveis de pesquisa, ensino e extensão. O evento será realizado no dia 17 de Junho de 2011, no Auditório 211 do CCSA, Campus I - UFPB (João Pessoa, PB).
As vagas são limitadas em função do espaço oferecido pelo auditório.

Programação

8:30h – Credenciamento

9:00h – ABERTURA
Profa. Dra. Isa Maria Freire, DCI e PPGCI da UFPB

9:15h – Apresentação sobre o IBICT

9:30h – O MAPA DA INCLUSÃO DIGITAL NO BRASIL
Prof. Dr. Emir José Suaiden, Diretor do IBICT

10:30h – Tempo para diálogo

10:40h – INCLUSÃO DIGITAL NA PARAÍBA
Prof. Dr. Claudio Benedito Silva Furtado, Presidente da FAPESQ

11:40h – Tempo para diálogo

11:50h – Encerramento dos trabalhos da manhã

14:00h – PESQUISA PARA INCLUSÃO NO PPGCI DA UFPB
Profa. Dra. Bernardina Freire de Oliveira, coordenadora do PPGCI da UFPB

14:10h – Políticas de inclusão digital em João Pessoa-PB
Prof. Dr. Gustavo Henrique de Araujo Freire
Profa. Ms. Briggida Rosely de Azevedo Lourenço

14:40h – Hipertexto como objeto multimídia na web
Pesquisadora Dra. Mirian de Albuquerque Aquino

15:10h – Ação de informação em telecentros
Prof. Dr. Julio Afonso Sá de Pinho Neto

15:40h – Ação de pesquisa – ensino – extensão para inclusão
Profa. Dra. Isa Maria Freire
Profa. Ms. Patrícia Maria da Silva
Jornalista Ms. Maria Giovanna Guedes Farias

16:10h – Tempo para diálogo

16:20h – Intervalo

16:30h – PROJETO ESCOLA DIGITAL
Profa. Dra. Cecilia Leite, vice-diretora do IBICT

17:20h – Tempo para diálogo

17:30h – Encerramento e confraternização

Promoção

IBICT/Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
UFPB/PPGCI/Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação

Organização

Grupos de Pesquisa
Informação e Inclusão social
Epistemologia e Políticas de Informação
Vinculados ao PPGCI da UFPB

Inscrições

As inscrições devem ser feitas através do e-mail paralerainternet@gmail.com mediante envio da Ficha de inscrição disponível logo abaixo para download. A ficha deve ser preenchida por completo e quaisquer dados que não sejam preenchidos podem causar a não efetivação da inscrição. O número de vagas é limitado: ultrapassado o limite do auditório não serão mais cadastradas novas inscrições. As inscrições se encerram no dia 10 de junho. Os certificados serão enviados para o e-mail dos participantes.
Fonte: http://sites.google.com/site/paralerainternet/home

Concurso de Literatura Infantil e Juvenil 2011 - 32 mil reais em prêmios!

A Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) abriu inscrições para o II Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil. Os interessados terão a opção de se inscrever nas duas modalidades de premiação, ou apenas em uma delas. Os textos da modalidade infantil são destinados a leitores de seis a 10 anos e da juvenil a adolescentes entre 11 e 16 anos. Poderão participar do concurso brasileiros e estrangeiros legalizados, residentes no território nacional. Os prêmios serão de R$ 8 mil para o primeiro colocado de cada categoria; R$ 5 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro. A comissão julgadora será composta de cinco membros, entre especialistas em literatura infanto-juvenil e profissionais das áreas de educação e cultura. O regulamento está disponível no site da editora (http://www.cepe.com.br).



REGULAMENTO

1. A participação estará aberta a todos os brasileiros natos e naturalizados, residentes no território nacional. Funcionários da Cepe e seus parentes em primeiro grau não poderão participar.

2. Haverá duas categorias de inscrição:
• Infantil (destinada ao leitor entre seis e 10 anos).
• Juvenil (destinada ao leitor entre 11 e 16 anos).

3. Cada participante poderá concorrer nas duas categorias, sem limite para o número de obras inscritas.

4. As inscrições estarão abertas de 1º/04/2011 a 30/06/2011, sendo considerada a data de postagem dos originais nos Correios. Após 30 de junho de 2011, não serão aceitas inscrições.

5. Os originais deverão ser endereçados à Companhia Editora de Pernambuco – Cepe, Rua Coelho Leite, 530, Santo Amaro – Recife – PE – CEP: 50100-140.

6. Os originais deverão ser inéditos e escritos em língua portuguesa. Entende-se por inédito o original não editado e não publicado (parcialmente ou em sua totalidade) em antologias, coletâneas, suplementos literários, jornais, revistas, sites e publicações do gênero.

7. O conteúdo dos originais deverá ser de narrativa de ficção (histórias imaginadas), com 5 (cinco) páginas no mínimo para a categoria infantil e 30 (trinta) páginas no mínimo para a categoria juvenil.

8. A identificação dos originais deverá ser feita por meio de pseudônimo, e todas as cópias deverão ser identificadas somente pelo pseudônimo. Paralelamente, em envelope lacrado e identificado com o pseudônimo, o participante deverá apresentar seus dados pessoais (nome completo, endereço, telefone, e-mail, número de RG e CPF, profissão).

9. O candidato deverá enviar cinco cópias de cada original, obedecendo à seguinte formatação:
• Word, fonte Times New Roman, corpo 12, espaçamento duplo.
• Páginas numeradas e impressas em papel carta ou A4, grampeadas ou encadernadas.

10. Poderão ser inscritos originais com ilustrações já inseridas, porém apenas o texto será julgado. Havendo publicação da obra, a diretoria da Cepe poderá optar por ilustrá-la segundo critérios próprios de editoração.

11. Os originais em desacordo com essas normas serão desclassificados.

12. A comissão julgadora, composta de cinco membros, será nomeada pela diretoria da Cepe, sendo formada por especialistas em literatura infanto-juvenil e profissionais das áreas de educação e cultura. A composição do júri será mantida em segredo até a nomeação dos vencedores do concurso.

13. A decisão da comissão é irrevogável. O anúncio do resultado deverá ocorrer no mês de outubro, sendo publicado no Diário Oficial do Estado de Pernambuco e no Portal da Cepe.

14. A festa de premiação do II Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil deverá ocorrer em data a ser fixada após a divulgação dos resultados.

15. O primeiro colocado de cada categoria receberá um prêmio de R$ 8.000,00 (oito mil reais); o segundo colocado, R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e o terceiro, R$ 3.000,00 (três mil reais).

16. A Companhia Editora de Pernambuco – Cepe terá exclusividade na edição das obras vencedoras. Poderá, também, manifestar interesse pela edição de trabalhos não premiados no concurso. Assim, durante o prazo de 10 meses, a contar da data de divulgação dos resultados do concurso, poderá haver contato com os autores de obras recomendadas pela comissão, visando adquirir os direitos de publicação.

17. Os originais e demais documentos entregues à Cepe não serão devolvidos.

18. A apresentação de originais para participar do II Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil implica no total acordo às normas aqui expressas.


INSCRIÇÕES
1° de abril a 30 de junho de 2011


MAIS INFORMAÇÕES
Companhia Editora de Pernambuco – Cepe
Rua Coelho Leite, 530
Santo Amaro – Recife – PE
CEP: 50100-140
Fones: (81) 3183.2700 / 0800.0811201

Fonte: http://www.cepe.com.br/

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"A Leitura Perdição" - texto do professor Edmir Perrotti

São muitas as razões de ler. Talvez a mais importante para a vida prática seja a de ler para se informar. Com efeito, lemos jornais, revistas, documentos, ofícios, contas de luz, de água, cheques, bula de remédios, certidão de batismo, de nascimento e de casamento. E lemos para tomar conhecimento de questões que afetam nosso cotidiano, nosso dia a dia, a vida diária. (Talvez a única que interesse verdadeiramente!). Num universo letrado, tais leituras são essenciais à sobrevivência, no que esta tem de mais imediato e urgência e é espantoso que não nos envergonhemos com as taxas de analfabetismo que assolam o país, verdadeira tragédia!


Ler mais em: http://pt.scribd.com/doc/56815703/A-Leitura-Perdicao-Perrotti?secret_password=1z0hpssioxlktysewj4w

ou bit.ly/kpNlwz

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Entrevista com professor Edmir Perrotti: "Biblioteca não é depósito de livros"



Edmir Perrotti é idealizador de redes de leitura em escolas e diz que é função do educador ajudar os estudantes a processar as informações do acervo. "Há uma série de estratégias possíveis para inserir a criança num contexto letrado."


Desafios como a criação do hábito da leitura entre crianças e adolescentes, as novidades tecnológicas, a ampliação do acesso ao ensino e a sofisticação do mercado editorial levaram o professor Edmir Perrotti a uma nova concepção de biblioteca escolar e de seu papel pedagógico.

Com formação em Biblioteconomia - área que combinou com seu interesse em Educação -, ele é docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, conselheiro do Ministério da Educação para a política de formação de leitores e autor de livros infantis.

Perrotti orientou a implantação de redes de bibliotecas inovadoras nas escolas municipais de São Bernardo do Campo, Diadema e Jaguariúna, no estado de São Paulo. Nessas estações de conhecimento, como ele prefere chamá-las, a aprendizagem é estimulada pela presença de suportes tecnológicos, como o computador e a televisão.

Em um ambiente que convida as crianças a descobrir e aprofundar o prazer da leitura, os livros convivem com outras linguagens, como a do teatro. "Assim trabalha-se o contato com as informações e também o processamento delas", diz. Ex-professor da Universidade de Bordeaux, na França, e de escolas de Ensino Fundamental no Brasil, além de editor e crítico literário, Perrotti concedeu a seguinte entrevista a NOVA ESCOLA.


O que deve orientar a constituição de uma biblioteca escolar?
Edimir Perrotti Ela não pode restringir-se a um papel meramente didático-pedagógico, ou seja, o de dar apoio para o programa dos professores. Há um eixo educativo que a biblioteca tem de seguir, mas sua configuração deve extrapolar esse limite, porque o eixo cultural é igualmente essencial. Isso significa trazer autores para conversar, discutir livros, formar círculos de leitores, reunir grupos de crianças interessadas num personagem, num autor ou num tema. A biblioteca funciona como uma ponte entre o ambiente escolar e o mundo externo.

De que modo se realiza essa abertura para fora da escola?
O responsável pela biblioteca tem o papel de articular programas com a biblioteca pública e fazer contato com a livraria mais próxima, além de estar atento à programação cultural da cidade. Há uma série de estratégias possíveis para inserir a criança num contexto letrado. A biblioteca precisa ter outra finalidade que não seja simplesmente a de um depósito de onde se retiram livros que depois são devolvidos. Nós não trabalhamos mais com a idéia de unidades isoladas. O ideal é formar redes, um conjunto de espaços que eu chamo de estações de conhecimento, cujo objetivo é a apropriação do saber pelas crianças.

Qual é a necessidade das redes?
Com o atual excesso de informações e a multiplicação de suportes, nenhuma biblioteca dá conta de todas as áreas em profundidade, até porque não haveria recursos para isso. O trabalho tem de ser compartilhado com outras unidades da rede, por meio de mecanismos de busca informatizados. Por exemplo: a escola guarda um pequeno acervo inicial sobre arte, mas, se o interesse for por um conhecimento aprofundado, recorre-se a uma biblioteca especializada na área. Hoje não há mais condições de manter o antigo ideal de bibliotecas enciclopédicas, que abarcavam todas as áreas de conhecimento.

Quem deve ser o responsável pela biblioteca?
Processar as informações e criar nexos entre elas é um ato educativo. O responsável, portanto, é um educador para a informação, que nós chamamos de infoeducador, um professor com especialização em processos documentais. Uma rede de bibliotecas tem uma plataforma de apoio técnico-especializado, que é a área do bibliotecário, um especialista em planejamento e organização da informação. Junto com ele trabalham os educadores, que são especialistas em processos de mediação de informação. Dar acesso ao acervo não basta para que o aluno saiba selecionar e processar informações e estabelecer vínculos entre elas.

De que modo se estimula a autonomia numa biblioteca?
É preciso desenvolver programas para construir competências informacionais. Isso inclui desde ensinar a folhear um livro — para crianças bem pequenas — até manejar um computador. Antigamente imperava a idéia de que os adultos é que deveriam mexer nas máquinas e pegar os livros na estante. Hoje deve-se formar pessoas que tenham uma atitude desenvolvida, não só de curiosidade intelectual mas de domínio dos recursos de informação. Essa é uma questão essencial da nossa época.

Por que a escola tem falhado em ensinar os alunos a processar informações?
Porque se acredita que basta escolarizar as crianças para formar leitores. De fato, a escola tem o papel de construir competências fundamentais para a leitura, mas isso não quer dizer formar atitude leitora. Hoje, o que distingue o leitor das elites do leitor das massas é que o primeiro tem um circuito de trocas. Ele participa do comércio simbólico da escrita, da produção à recepção: sabe o que é publicado, informa-se sobre os autores, encontra outros leitores etc. Já a criança da escola pública muitas vezes não tem livros em casa e só lê o que o professor pede. Ela não tem com quem comentar. Está sozinha nesse comércio das trocas simbólicas.

Qual é o mínimo necessário para o funcionamento de uma biblioteca escolar?
Estou convencido de que é a pessoa que trabalha ali, mediando relações entre a criança, a informação e o espaço. Não precisa ser alguém superespecializado, mas que compreenda a função da escrita e da imagem e que saiba qual é a importância daquilo na vida das pessoas. Assim, a compra de livros seguirá um critério de escolha consciente. É claro que é bom construir um ambiente agradável e funcional, mas não é indispensável, porque a leitura não depende das instalações da biblioteca; ela se dá em qualquer lugar.

Quem deve escolher o acervo?
Nós temos trabalhado um modelo em que a escolha é feita por todos os que participam dos processos de aprendizagem: professores, coordenadores, diretores e alunos. Formulários são colocados à disposição para que sejam feitas sugestões de compra. O infoeducador não só coleta esses dados como divulga, por meio dos quadros de aviso, as informações sobre lançamentos que saem na imprensa e na internet. Depois, ele vai analisar os pedidos, separá-los em categorias — livros importantes para os projetos em andamento, leituras de informação geral ou complementares etc. — e, com base nessas listas, a escolha é feita de acordo com os recursos disponíveis.

Como comprometer o aluno com a organização e a manutenção da biblioteca?
Ele participa da escolha do acervo e também pode estar pessoalmente representado nele, por meio de livros que ele escreve e de documentos de sua passagem pela escola. Uma parte do acervo vem da indústria cultural e outra é produzida internamente, com documentos e relatos referentes à história da instituição. Formar um repertório de dados locais cria relações com as informações universais.

Descreva a biblioteca escolar ideal.
É aquela que possui todo tipo de recurso informacional, do papel ao equipamento eletrônico. O espaço é construído especialmente para sua finalidade e de acordo com quem vai usar. Se o público majoritário é infantil, a disposição dos móveis e do acervo deve permitir que a criança se mova com autonomia. É preciso ser um local acolhedor, mas que empurre rumo à aventura, porque conhecer é sempre se deslocar.

Por que se diz que os jovens não gostam de ler?
Os interesses mudam na passagem da infância para a adolescência e a leitura que era feita antes já não interessa tanto, mesmo porque cresce a concorrência de outras mídias. Essa é uma transição crítica e ainda não foram definidas ações específicas para promover a leitura nessa faixa etária. Os adolescentes identificam o livro com as tarefas da escola, que reforça essa percepção porque raramente sai da abordagem instrumental da leitura. E no âmbito social, entre os amigos, a leitura não está presente. Mesmo assim, essa fase é a das grandes paixões. Portanto, há um espaço enorme para promover a leitura entre os jovens.

É possível formar leitores por meio de políticas públicas?
O problema é saber que caráter elas têm. Eu não concordo com estratégias que pretendam ensinar os alunos a gostar de ler. A função do poder público é criar ambientes que dêem condições de ler, tentar despertar as crianças para as potencialidades da escrita, prepará-las para as competências leitoras — enfim, providenciar para que seja constituída a trama que sustenta o ato de ler. Mas gostar de ler é questão de foro íntimo, não de políticas públicas.

A escola deve obrigar um aluno a ler livros e freqüentar bibliotecas mesmo que ele não goste?
Não se pode deixar de perguntar por que esse aluno não gosta de ler. Ele teve uma relação negativa com a situação de aprendizagem? Ninguém lê em casa? Tem dificuldades de visão? Não domina o código? Não tem circuitos culturais a sua volta? Tudo isso pode e deve ser trabalhado. Agora, se ele teve apoio para experimentar a prática da leitura e prefere fazer outras coisas, não adianta forçar. É claro que não estou falando da leitura funcional, indispensável para a vida diária. Nesse caso, é obrigatório negociar com a criança o "não querer ler".

É melhor ler literatura de má qualidade do que não ler nada?
A pergunta já supõe que de fato existe uma literatura de má qualidade. Há leitores que são capazes de voar longe com um suposto mau livro, assim como há muitos trabalhos escolares que se utilizam de grandes textos, mas sufocam o interesse de aprender. Por outro lado, não é possível deixar o gosto do leitor imperar sozinho. É fundamental operar mediações entre as crianças e uma literatura que tenha condições de produzir significações importantes.

O uso do livro em sala de aula está em decadência?
Ele está aquém do que gostaríamos que fosse e também do que seria necessário. Mesmo assim, o livro está entrando nas escolas numa medida que não entrava, nem que seja por meio das distribuições feitas pelo Ministério da Educação e as secretarias estaduais e municipais. Há 50 anos nem sequer se sonhava com isso no Brasil. O problema maior é o de mau uso desses livros, com estratégias impositivas de leitura. Muitas vezes falta penetrar no avesso dos textos com as crianças e realmente mergulhar numa viagem de conhecimento, de imaginação.

Até que ponto as bibliotecas levam ao hábito da leitura?
Eu participei de uma pesquisa feita com as crianças usuárias das redes de biblioteca que ajudei a implantar no estado de São Paulo. Queríamos saber se elas estão incorporando a leitura a sua prática de vida e não apenas como lição de casa. Qual é a constatação? Houve um grande avanço e as crianças se mostram muito mais familiarizadas com os livros, mas infelizmente ainda não usam as novas competências para trocas culturais. Por exemplo: não têm o hábito de comprar e emprestar livros. A prática escolar não se transferiu para a prática cultural.

Há perspectiva de mudança para essa situação?
Eu vejo uma tendência de funcionalização. Os meios eletrônicos trouxeram, aparentemente, uma presença maior da escrita, mas o uso que se faz dela é cada vez mais abreviado. Vai-se transformando a língua no elemento mínimo para a transmissão da mensagem. Nós estamos a anos-luz de formar pessoas que, ao cabo do período de escolaridade, vão se relacionar com a escrita como uma ferramenta de conhecimento e de experiências estéticas, numa dimensão não pragmática. Restringir as ferramentas de linguagem a sua função utilitária é retirar de nós mesmos aquilo que nos humaniza — a capacidade de dizer de uma forma articulada. As novas bibliotecas têm de enfrentar essa questão.

Entrevista concedida a Márcio Ferrari - Nova Escola, em 11/05/2011.

Fonte: http://www.blogdogaleno.com.br/texto_ler.php?id=9897&secao=22